“Percepção multisensorial: Uma conexão entre a arte de Kandinsky, Michel Chion e John Cage”
Proposta de uma articulação rica e interdisciplinar entre artes visuais, som e teoria da escuta.
1. Definição de Percepção Multissensorial
Conceituar a percepção multissensorial como a integração simultânea de estímulos visuais, sonoros, táteis, etc. no cérebro.
Referenciar estudos de neurociência ou psicologia da percepção
O termo "percepção multissensorial" não é errado nem redundante — ao contrário, é amplamente utilizado nas áreas de psicologia, neurociência, design, arte e educação.
Por que não é redundante: A percepção pode ocorrer por um único sentido (por exemplo, percepção visual ou auditiva). Ao adicionar o prefixo "multi-", especifica-se que mais de um sentido está envolvido simultaneamente (por exemplo, visão + audição + tato). Logo, “percepção multissensorial” é uma expressão necessária e precisa para diferenciar de “percepção unissensorial”.
Exemplos de uso legítimo:
Em neurociência: "O cérebro integra informações visuais e auditivas durante a percepção multissensorial." Em design: "Experiências imersivas se beneficiam da percepção multissensorial para criar maior impacto emocional." Em educação: "A aprendizagem multissensorial ativa mais áreas do cérebro e favorece a retenção."
Conclusão:
"Percepção multissensorial" é um termo válido, útil e tecnicamente correto. Não é redundante, pois não há implicação automática de múltiplos sentidos quando se fala apenas em "percepção".
2. Kandinsky e a Sinestesia Visual-Sonora
Kandinsky via cores e formas como sons — dizia “ouvir” amarelos e “sentir” o azul.
Pintura como partitura visual: sua obra propõe uma visualidade musicalizada.
Explorar o livro Do Espiritual na Arte e como ele aborda a fusão entre sentidos.
Em 1911, Wassily Kandinsky, expõe uma complexa e revolucionária reflexão sobre criação sinestésica e se interessa pelas analogias entre o timbre da música e a tonalidade da pintura,
associando os principais tons da cor a determinados instrumentos musicais. Enquanto outros pintores se inspiravam nas harmonias, Kandinsky encontrava em em 3 Peças para Piano, op.11 (1909) de Arnold Schoenberg a atonalidade dissonante. Uma inspiração para a sua pintura.
3. Michel Chion e a Audiovisão
Michel Chion: Define escuta como uma prática complexa, que pode ser causal, semântica ou reducionista. Também valoriza sons não-musicais, ruídos e o contexto auditivo do cinema.Chion trata da escuta acusmática, do som no cinema e da experiência sonora "fora de quadro".
Introduz conceitos como sincrésia audiovisual, valência do som e a importância do som no espaço sensorial.
Relação com Kandinsky: O invisível que se expressa através da forma.
Relação com Cage: Ambos tratam o som não como suporte da imagem ou da música tonal, mas como matéria sensorial e perceptiva autônoma. O elo entre Cage e Chion é a defesa radical da escuta como prática estética e política.
Cage abre os ouvidos para tudo.
Chion oferece as ferramentas teóricas para compreender e analisar essa escuta aberta.
4. John Cage e a Escuta Expandida
Em finais dos anos 40 e início dos 50, Cage interessa‐se pelo potencial dos ruídos e pela sua variação intermitente, e colabora nas tendências contemporâneas da Action Painting e do Expressionismo Abstrato. Cage rompe com a hierarquia dos sentidos e convida à escuta do ambiente como composição. Aqui, o silêncio revela todos os estímulos do espaço-tempo.
John Cage: Defende a escuta do acaso, do ambiente e do silêncio como elementos válidos da composição. Obra como 4’33” propõe que tudo o que soa pode ser música, desde que ouvido como tal.
Aproximação à multissensorialidade como atitude perceptiva, não apenas técnica.
5. Ponto de Convergência entre os Três
Todos rompem fronteiras entre os sentidos, os gêneros e os formatos tradicionais.
Estimulam o espectador/ouvinte a se tornar um sujeito ativo na recepção artística.
Todos propõem uma Arte Multidisciplinar : Analogia sensivel entre o timbre da musica e a tonalidade
da pintura, escuta ativa e profunda e audiovisualidade como eixos comuns.
6. Possibilidades Contemporâneas
Desdobramentos em arte digital, instalações imersivas, performances multissensoriais.
Realidade virtual, Ambisonics, experiências sonoro-visuais como continuação de suas visões.