sábado, 28 de junho de 2025

“Percepção multissensorial: Uma conexão entre a arte de Kandinsky, Michel Chion e John Cage”




 “Percepção multisensorial: Uma conexão entre a arte de Kandinsky, Michel Chion e John Cage” 

Proposta de uma articulação rica e interdisciplinar entre artes visuais, som e teoria da escuta. 


1. Definição de Percepção Multissensorial

Conceituar a percepção multissensorial como a integração simultânea de estímulos visuais, sonoros, táteis, etc. no cérebro.

Referenciar estudos de neurociência ou psicologia da percepção 

O termo "percepção multissensorial" não é errado nem redundante — ao contrário, é amplamente utilizado nas áreas de psicologia, neurociência, design, arte e educação.

Por que não é redundante: A percepção pode ocorrer por um único sentido (por exemplo, percepção visual ou auditiva). Ao adicionar o prefixo "multi-", especifica-se que mais de um sentido está envolvido simultaneamente (por exemplo, visão + audição + tato). Logo, “percepção multissensorial” é uma expressão necessária e precisa para diferenciar de “percepção unissensorial”.

Exemplos de uso legítimo:

Em neurociência: "O cérebro integra informações visuais e auditivas durante a percepção multissensorial." Em design: "Experiências imersivas se beneficiam da percepção multissensorial para criar maior impacto emocional." Em educação: "A aprendizagem multissensorial ativa mais áreas do cérebro e favorece a retenção."

Conclusão:

"Percepção multissensorial" é um termo válido, útil e tecnicamente correto. Não é redundante, pois não há implicação automática de múltiplos sentidos quando se fala apenas em "percepção".


2. Kandinsky e a Sinestesia Visual-Sonora

Kandinsky via cores e formas como sons — dizia “ouvir” amarelos e “sentir” o azul.

Pintura como partitura visual: sua obra propõe uma visualidade musicalizada.

Explorar o livro Do Espiritual na Arte e como ele aborda a fusão entre sentidos. 

Em 1911, Wassily Kandinsky, expõe uma complexa e revolucionária reflexão sobre  criação sinestésica e se interessa pelas analogias entre o timbre da música e a tonalidade da pintura,  associando  os  principais  tons  da  cor  a  determinados  instrumentos  musicais.  Enquanto  outros  pintores  se inspiravam nas harmonias, Kandinsky encontrava em em 3 Peças para Piano, op.11 (1909) de Arnold Schoenberg a  atonalidade dissonante. Uma inspiração para a sua pintura.  


3. Michel Chion e a Audiovisão

Michel Chion: Define escuta como uma prática complexa, que pode ser causal, semântica ou reducionista. Também valoriza sons não-musicais, ruídos e o contexto auditivo do cinema.Chion trata da escuta acusmática, do som no cinema e da experiência sonora "fora de quadro".

Introduz conceitos como sincrésia audiovisual, valência do som e a importância do som no espaço sensorial.

Relação com Kandinsky: O invisível que se expressa através da forma.

Relação com Cage: Ambos tratam o som não como suporte da imagem ou da música tonal, mas como matéria sensorial e perceptiva autônoma. O elo entre Cage e Chion é a defesa radical da escuta como prática estética e política.

Cage abre os ouvidos para tudo.

Chion oferece as ferramentas teóricas para compreender e analisar essa escuta aberta.

4. John Cage e a Escuta Expandida

Em  finais  dos  anos  40  e  início  dos  50,  Cage  interessa‐se  pelo  potencial  dos  ruídos  e  pela  sua  variação  intermitente, e  colabora  nas  tendências  contemporâneas  da  Action  Painting e  do  Expressionismo  Abstrato. Cage rompe com a hierarquia dos sentidos e convida à escuta do ambiente como composição. Aqui, o silêncio revela todos os estímulos do espaço-tempo.

John Cage: Defende a escuta do acaso, do ambiente e do silêncio como elementos válidos da composição. Obra como 4’33” propõe que tudo o que soa pode ser música, desde que ouvido como tal.

Aproximação à multissensorialidade como atitude perceptiva, não apenas técnica.


5. Ponto de Convergência entre os Três

Todos rompem fronteiras entre os sentidos, os gêneros e os formatos tradicionais.

Estimulam o espectador/ouvinte a se tornar um sujeito ativo na recepção artística.

Todos propõem uma Arte Multidisciplinar : Analogia sensivel entre o timbre da musica e a tonalidade

 da pintura, escuta ativa e profunda e audiovisualidade como eixos comuns.


6. Possibilidades Contemporâneas

Desdobramentos em arte digital, instalações imersivas, performances multissensoriais.

Realidade virtual, Ambisonics, experiências sonoro-visuais como continuação de suas visões.


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